A economia avança sem Temer

20/setembro/2017 - 4:21 pm

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Edson Nascimento, 48, é jornalista. Nasceu em Belém do Pará, mas mudou-se para São Paulo quase trinta anos atrás. Entre 2000 e 2015 dirigiu o Projeto Pão Nosso, Ong que atendeu mais de duas mil crianças e jovens, oferecendo educação, profissionalização e renda. Em algum momento da vida colocou na cabeça que ia transformar o mundo.

Temer na Onu: discurso vazio para ouvidos moucos. Apesar de todo descalabro, a economia avança.

Nossa nau atravancada, ludibriada, ignorada, dá sinais de força. Aos poucos vai singrando os mares nefastos da crise, instigando conjecturas nunca dantes navegadas.

Somos um país realmente especial. Nossa crise econômica esteve, em seu período mais agudo, de braços dados com uma crise política de corar os marujos mais tarimbados.

O mar de denúncias, delações, planilhas e malas não parava de jogar furioso nossa sucateada embarcação de um lado para o outro, como se fôssemos uma garrafa pet no furacão. Os índices econômicos despencando: deflação, recessão, desemprego, tudo nos levando ainda mais para o centro da tempestade.

E no turbilhão climático dos humores nacionais, uma corja de piratas tentando pateticamente aprovar reformas que só beneficiam a primeira classe e prejudicam a marujada do convés e das máquinas. Nem a reforma política deve sair, justamente aquela que deveria ser a ponta de lança da retomada à democracia perdida. Sim, para mim, vivemos uma ditadura surrupialista nível 5. Estamos placidamente acomodados nas mãos de larápios e piratas, que visam apenas o butim. E, como a marujada manteve-se quieta e submissa, alguém tinha que dar uma resposta. E foi justamente a economia.

Há três meses consecutivos alguns índices econômicos dão sinais de melhora: a produção industrial, a atividade econômica, até o desemprego parou de subir. A bolsa de valores bate recordes diariamente, os juros caem e a inflação está em baixa. Parece que novamente ligamos os motores.

Mas não se engane, não se trata de competência da cabine de comando. Nossa nau está em movimento porque ela precisa estar. Não consegue, por suas dimensões, permanecer parada ou em retração por muito tempo. Há muitas outras embarcações que precisam da nossa, e vice-versa. O mar é dinâmico.

Pode o facínora-mor ir à ONU e cantar vantagens. Pode, em fanfarronice retórica, apontar as reformas que “estamos fazendo” e dizer que ele é o máximo no trato da administração pública. Pode florear seu discurso cego à rejeição desenfreada ao seu desgoverno. Nada afasta a certeza de que “eles” não têm nada a ver com isso.

A economia se despregou da colônia porque somos grandes. Eles, os facínoras engravatados de Brasília, é que jamais perceberão isso.

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