A educação de Alckmin é boa quando ele não vai à aula

13/dezembro/2017 - 9:10 am

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Paulo Leme tem 46 anos e é advogado, graduado pela USP. Dependente químico em abstinência há mais de 20 anos, escreveu, junto com seu pai, o livro “A Doença do Alcoolismo” e é fundador do Movimento Vale a Pena, ONG que tem por objetivo divulgar informações a respeito da dependência química.

30% das escolas públicas paulistas têm, no ensino médio, desempenho inferior à média nacional – e o Estado, apesar de ser o mais rico, está em 6º lugar na colocação geral.

Quando a escola pública está situada numa região nobre da Capital e é frequentada por estudantes de melhor condição socioeconômica, as famílias se unem na busca de recursos privados. O resultado: ensino em tempo integral, professores bem remunerados, infraestrutura de excelência e cursos extracurriculares como, por exemplo, preparação para o mercado de trabalho.

Porém, quando a escola pública está situada numa região carente, o que se tem é o uso de drogas, evasão alta, violência constante, abandono e professores mal remunerados – que, entre outras coisas, precisam tirar do já minguado bolso dinheiro para comprar papel higiênico. Não estou surpreso: fiz muitas palestras em escolas assim – e o ambiente é de cadeia, com direito a grades e trancas para separar ambientes.

A educação pública paulista, portanto, tem como lema o salve-se quem puder.

Como os mais carentes podem menos, são justamente eles os que sofrem mais – e, nesse ciclo macabro que se retroalimenta, os que mais sofrem o abandono do Estado ficam cada vez mais abandonados.

No Governo Alckmin, a educação pública só é boa quando não depende do Estado.

Essa é a gente cristã que, no poder há mais de 20 anos, vai batalhar duro para eternizar seu próprio ciclo.

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http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2017/12/1942847-sob-alckmin-sp-tem-30-das-escolas-abaixo-da-media-nacional-no-enem.shtml

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