A janta

7/Fevereiro/2018 - 12:45 pm

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Paulo Leme tem 46 anos e é advogado, graduado pela USP. Dependente químico em abstinência há mais de 20 anos, escreveu, junto com seu pai, o livro “A Doença do Alcoolismo” e é fundador do Movimento Vale a Pena, ONG que tem por objetivo divulgar informações a respeito da dependência química.

O Ministério Público acusa João Doria Junior de usar indevidamente R$ 3,2 milhões de dinheiro nosso para fazer propaganda pessoal através da divulgação de sua marca preferida, o tal programa “Cidade Linda”.

Além disso, o MP reparou num estranho aspecto da relação de Doria com seus misericordiosos doadores: o doador dá uma bugiganga para o Cidade Linda, Doria fatura uma propaganda com cara de campanha eleitoral e, de quebra, faz uma divulgação das mercadorias do amigo doador. No caso da amiga Ultrafarma, por exemplo, até distribuir remédio dentro da Prefeitura, o sorridente Doria distribuiu.

Hoje, Doria (ainda) é prefeito – mas nunca deixou de ser candidato. É conveniente, para muita gente, manter certas amizades, pois ninguém sabe como será o amanhã.

O diabo é que foram justamente essas amizades mal explicadas, entre empresas e governantes, que fizeram o País chegar no lamaçal de corrupção em que se encontra – onde quem paga a conta sempre é a população mais carente.

Quando processamos Doria questionando a real intenção de tanta caridade calculada, pouca gente se deu conta da gravidade do assunto – e agora não é só o MP, mas também uma juíza de primeira instância, que não vê a menor graça nessa história.

“Não há almoço grátis”, disse o MP. Concordo – mas o que mais me preocupa é a janta, cuja conta ainda vai chegar.

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