A luta do rochedo com o mar: Juão e o Elo Movimento

24/julho/2017 - 4:23 pm

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Marcelo tem 48, é ativista político, republicano, democrata e progressista, estudou sociologia e ciência política, na Escola de Sociologia e Política de São Paulo e trabalha com estudos de opinião pública e comunicação política. twitter @oceanoazul

São Paulo é cosmopolita, global, rica como quer Juão, coisa que não negamos, mas é diversa, desigual, coisa que ele se recusa a compreender.

O ELO MOVIMENTO percebeu muito cedo o que os partidos políticos que não fazem parte da coalizão que administra a cidade de São Paulo demoraram a perceber.

Hoje já há consciência da sociedade civil que os investimentos públicos realizados na cidade estão aquém do potencial econômico e social do município. São Paulo tem regiões muito diferentes, algumas mais desenvolvidas do que outras, divididas entre o centro mais equipado e a periferia mais carente da estrutura urbana e equipamentos. A agenda que o prefeito está promovendo vai no sentido oposto do que os movimentos organizados da sociedade civil esperavam. Caminha no sentido contrário do que a população da periferia espera da administração. Hoje entendemos que o poder público deveria estar a serviço da sociedade, mais acessível, permitindo mais participação e promovendo mais diálogos. Coisa que o atual prefeito parece não entender. Hoje é preciso dizer sem medo que Juão Doria é o prefeito dos empresários, dos mais ricos e vai governar para a região mais central da cidade.

A Câmara Municipal, que deveria fazer o contraponto e intermediar essa relação, vive historicamente de “costas” para os interesses da população e pronta para oferecer sua contribuição ao dono da caneta e do orçamento na cidade. O ELO MOVIMENTO surge neste contexto e escolheu fazer o enfrentamento do executivo e sua política neoliberal. Como uma associação livre de cidadãos entendemos que, se não temos um mandato político, não somos alinhados politicamente com a administração passada e muito menos com a atual, deveríamos aceitar essa condição ou reagir a ela? Entendemos que o caminho era exercitar a política, independentemente da filiação partidária, independente de ter um mandato fazendo pressão, debatendo, denunciando, mobilizando e agindo diretamente contra os interesses que não são os interesses da população. Entendemos que acompanhar as ações do executivo não é uma tarefa apenas daqueles que têm mandatos, mas uma obrigação da sociedade, principalmente quando as instituições estão se mostrando falhas ou tendenciosas.

Entendemos também que era preciso enfrentar os abusos do prefeito. Desde o início, o ELO MOVIMENTO se apresentou sem medo de encarar as estruturas e desafiar o pensamento empacotado que aceita qualquer justificativa como resposta para um problema complexo e com muitos desdobramentos para o município. Tomamos “partido” e fomos à luta a favor do grafite, para que o prefeito não continuasse apagando-os arbitrariamente; questionamos a legalidade das doações feitas à cidade, por empresas que mantêm relações comerciais com a prefeitura; cobramos no TCM que o município cumprisse a Lei da Transparência revelando os “segredos” da caixa preta das doações. Por entender que existem diferenças significativas entre essa agenda, que se impõe sobre a cidade neste momento, e a progressista, que defende a sustentabilidade como forma de superar o modelo atual que gera desigualdade. Por entender também que fazer política não é monopólio do prefeito.

O ELO MOVIMENTO cumpre assim o papel de dissipar a cortina de fumaça criada pelo prefeito Juão Doria com todas as pirotecnias para maquiar a realidade.

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