A ração de Doria

26/outubro/2017 - 8:51 am

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Paulo Leme tem 46 anos e é advogado, graduado pela USP. Dependente químico em abstinência há mais de 20 anos, escreveu, junto com seu pai, o livro “A Doença do Alcoolismo” e é fundador do Movimento Vale a Pena, ONG que tem por objetivo divulgar informações a respeito da dependência química.

O Presidente Michel livrou-se da segunda denúncia, o que lhe garante um ano de caneta cheia de tinta para bancar churrascos, inaugurações de banheiros e convênios para qualquer coisa. Essa é gasolina que faz andar a campanha eleitoral de muita, mas muita gente mesmo.

Não tenho ilusões: mesmo entre os indignados que votaram contra ele, boa parte irá pedir para beber água nas santas mãos do Presidente – pois não faltou quem, evidenciada já no início da votação a impossibilidade matemática do afastamento, jogou para a torcida. O Presidente Michel sabe bem como são as coisas no Santo Parlamento – e não vai guardar mágoa de ninguém.

O Presidente Michel, que, aos 77 anos, chegou ao ápice da carreira política (ainda que, como sabemos, à custa de muita sacanagem), deveria desejar fazer um mandato digno e se aposentar em alto estilo. Em tese, ele não precisaria se comprometer com mais nada.

O diabo é que o Presidente precisa desesperadamente fazer um aliado como sucessor. E isso por uma simples razão: se não tiver um baita acordo amarrado com as maiores forças políticas de 2019, o Presidente Michel, quando descer a rampa, irá direto para a gaiola da justiça. Vai comer quentinha, andar de chinelo de dedo e fazer cocô num buraco no chão.

Evitar isso não tem preço.

É por isso que desconfio quando dizem que o caridoso Prefeito Doria é carta fora do baralho presidencial. É questão de reparar no carinho, amor e excitação que exalam do Presidente Michel quando ele fala do leal e recatado Doria – e deduzir quem vai topar fazer aquele tipo acordo.

O Presidente Michel tem ração de sobra. O Prefeito Doria tem muita fome.

Essa é a farinata que poderemos ter de engolir.

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