A reforma trabalhista e nossas pequenas vidas

11/julho/2017 - 5:37 pm

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Edson Nascimento, 48, é jornalista. Nasceu em Belém do Pará, mas mudou-se para São Paulo quase trinta anos atrás. Entre 2000 e 2015 dirigiu o Projeto Pão Nosso, Ong que atendeu mais de duas mil crianças e jovens, oferecendo educação, profissionalização e renda. Em algum momento da vida colocou na cabeça que ia transformar o mundo.

A reforma trabalhista está na mesa do Senado nesta terça-feira. É ruim. Privilegia os lados forte da relação: o empresariado e os sindicatos. Sim, os sindicatos também. Temer já sinalizou que o fim da contribuição sindical obrigatória não será o fim da dinheirama que abastece sindicatos corruptos e ineficientes. É bem provável que o moribundo presidente vete este artigo da reforma, justamente para garantir sua aprovação. Assim, só quem sofrerá os danos será o indefeso trabalhador, que deveria ser protegido por um dos mais de 11 mil sindicatos do país (há mais 5 mil sindicatos patronais), mas o sinal do presidente foi suficiente para amansá-los.

Dizem por aí que esta é uma reforma moderna e que vai abrir novas vagas de emprego pelo Brasil, reduzindo barbaramente o desequilíbrio no mercado de trabalho. Mentira. Não é esta reforma que vai tirar o país da crise. Nem a da previdência.

A reforma trabalhista que deverá ser votada hoje pelos senadores reduz a proteção àqueles que carregam o país nas costas, flexibilizando regras de trabalho como se aqui fosse a Noruega. Não é. Um pouco de raciocínio e chegamos à conclusão de que os privilegiados jamais abandonaram seus privilégios, e jamais abandonarão. Querem sempre mais.

Sem entrar nos pontos polêmicos da reforma, alguns argumentos deveriam indicar os próximos passos: como este Congresso investigado por relações espúrias e perniciosas com grandes corporações pode aprovar uma reforma trabalhista que beneficia prioritariamente o empresariado? Como esta classe política, acusada (e flagrada) de circular por aí com malas e mochilas recheadas de dinheiro vivo, fruto de acordos fechados na calada da noite em becos escuros e estacionamentos soturnos, pode decidir o nosso destino? Como um governo com índice de aprovação de um dígito apenas pode decidir o futuro de 200 milhões de seres humanos?

Só isso deveria bastar para enchermos as ruas e lutar por nossos direitos. No entanto, parecemos entorpecidos, jogados no conforto esmaecido de nossos sofás, acompanhando as notícias e comentando qualquer bobagem pelas redes sociais. Não concordamos com nada e, assim, nada fazemos.

 

Qualquer nação amparada por um mínimo de respeito e decência deveria começar suas reformas estruturais pela Educação. Não há nada que recenda mais a estrutura, fundação, alicerce, do que a Educação. Ela deveria ser a base de tudo. A base de um país soberano. É a falta dela que nos deixa, assim, conformados.

 

Este governo ilegítimo, sem credibilidade, já fez a sua reforma educacional. Mudou o ensino médio para que tenhamos, pelo menos, mais uma geração de ignorantes e desinformados. Só assim eles continuarão reinando absolutos e ferozes sobre a nossa riqueza. Só assim eles permanecerão no controle tirânico de nossas pequenas vidas.

 

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