Cai o Rei de Copas…

12/julho/2017 - 8:14 pm

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Edson Nascimento, 48, é jornalista. Nasceu em Belém do Pará, mas mudou-se para São Paulo quase trinta anos atrás. Entre 2000 e 2015 dirigiu o Projeto Pão Nosso, Ong que atendeu mais de duas mil crianças e jovens, oferecendo educação, profissionalização e renda. Em algum momento da vida colocou na cabeça que ia transformar o mundo.

Não precisamos de muito raciocínio lógico para entender a obviedade saltitante que passeia pelos campos da política e da justiça brasileiras. Era clara e evidente a condenação do ex-presidente Lula, como são claros os movimentos para a absolvição do alto tucanato e do presidente Michel Underwood Temer. Perdão, não resisti.

Quem ainda não viu House of Cards está perdendo uma grande oportunidade de entender um pouco mais do baixo meretrício da política americana. Entenda-se: todas as Américas. O antro sujo da política que, para muitos, é característica de nossa latinidade ou do terceiro-mundismo, na verdade, é o tapete onde pisam os mestres da falcatrua em qualquer nação. Umas mais, outras menos. Nesse campo somos top. Um exemplo: as propinas relatadas na série americana não chegam aos pés das mochilas, malas e contas já descobertas até agora nas várias investigações em curso na nossa República Abananada. As propinas da terra de Underwood, pasmem, cabem em uma pochete. O negócio lá é na base da influência e do poder. Aqui, a política é fonte vital e banal de enriquecimento.

Temos visto nas últimas semanas a execução da ideia perpetrada por Romero Jucá em conversa gravada com Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro. Segundo o senador, era “preciso mudar o governo para estancar a sangria da Lava Jato”. O torniquete se materializou na ascensão de Temer, passou pela nomeação de Alexandre de Moraes como ministro do STF, pelo retorno triunfal de Aécio Neves ao senado, pelos sobejos asquerosos de Gilmar Mendes, culminando, agora, com a condenação de Lula pelo Juiz Sérgio Moro em primeira instância. O chamado boi de piranha. Nome forte, de peso, capaz de saciar a sede dos cidadãos inquietos. Nome que representa as mudanças em curso: nunca antes na história deste país um presidente havia sido condenado, com sérios riscos de passar o resto da vida na cadeia.

E, antes que me acusem de petralha ou mortadela, quero deixar bem claro que não morro de amores por Lula e pelo petismo, apenas acho que a Lei precisa ser igual para todos. Só acreditarei em reais mudanças quando Lula e Aécio estiverem juntos tomando banho de sol na Papuda, pois condenar Lula e manter em berço esplêndido elementos flagrados apenas de meias em pleno coito, significa reduzir-nos à insignificância dos vermes. E é assim mesmo que eles nos querem: pequenos e invisíveis.

Só não devem esquecer que são os vermes que vão comê-los quando estivermos em pé de igualdade, com aqueles sete palmos de terra por cima…

http://brasil.elpais.com/brasil/2017/07/12/politica/1499879326_453878.html

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