Doria não aprende

12/dezembro/2017 - 10:13 am

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Paulo Leme tem 46 anos e é advogado, graduado pela USP. Dependente químico em abstinência há mais de 20 anos, escreveu, junto com seu pai, o livro “A Doença do Alcoolismo” e é fundador do Movimento Vale a Pena, ONG que tem por objetivo divulgar informações a respeito da dependência química.

Depois de ver seu marketing raso se esfarelar perante a opinião pública, seria de se esperar que o Prefeito Doria tivesse um pouco mais de respeito pela inteligência alheia.

O banner que ilustra este texto – e que diz respeito aos supostos “resultados” da administração Doria junto à Cracolândia – teve a proeza de, para dizer o mínimo, colocar sob suspeita todas (repito: todas) as informações que se propôs a passar. Vejam só:

1 – O Doria fala que 3.210 doentes foram “encaminhados” para tratamento. Essa história está esquisita: há dados oficiais (também questionáveis, diga-se de passagem) que dizem que, antes do dia 21 de maio (data em que o Doria nos informou que a Cracolândia havia acabado), a Cracolândia possuía exatamente 1.861 pessoas. Bem, se mais de 3.000 foram encaminhados a tratamento, a região da Luz e do Bom Retiro não deveria ter um só dependente químico. Só que não (aliás, o que se diz é que, infelizmente, o número de dependentes químicos aumentou).

2 – O Doria fala com orgulho que 620 traficantes foram presos. Pode até ser (eu duvido muito, mas isso é outra discussão). Acontece que, para seu próprio desgosto, o Doria ainda não é Governador do Estado. Como Prefeito, ele não tem controle nenhum sobre a polícia civil ou militar. Uma pena, deve pensar o Doria.

Mas tenho dó mesmo é do seu pai espiritual, o Governador Alckmin – o homem está há duzentos e trinta anos no Governo do Estado e sua polícia só começou a funcionar de verdade depois que o Doria virou prefeito. É um incompetente total (pelo menos de acordo com o raciocínio do Doria).

Quando leio coisas assim, vejo que, no fundo, o problema não é só de desprezo pela nossa inteligência. O problema, acima de tudo, é de falta de sensibilidade para com o sofrimento das pessoas mais carentes, terrível vício que o Doria não consegue largar.

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