E agora, Juão?

21/junho/2017 - 7:57 pm

Publicado por

Marcelo tem 48, é ativista político, republicano, democrata e progressista, estudou sociologia e ciência política, na Escola de Sociologia e Política de São Paulo e trabalha com estudos de opinião pública e comunicação política. twitter @oceanoazul

Apagar os grafites foi um ato de agressão à cidade!

Fantasiado de gari, o ator-prefeito, acordou cedo, reuniu a equipe e saiu pela Avenida 23 de maio cobrindo de cinza o colorido das paredes da capital.

A prioridade do prefeito é diferente das muitas prioridades que São Paulo e seus cidadãos têm neste momento. Na cabeça do Juão só o Planalto interessa. Assim como quem não quer nada, gostaria de perguntar se não está na hora de “prefeitar”. Afinal, não se pode “governar” por força da propaganda.

Passados cinco meses desde que assumiu a prefeitura, Juão “inventou” projetos, criou “feeds” de notícias e vai se saindo “bem” em todas as fotografias como fazem as subcelebridades em tempos de redes sociais. Quanto mais fotos, mais cliques, portanto, maior a sensação de “popularidade”. Daí sua capacidade de criar superlativos.

Inventou que é “gestor”, que é “dinâmico”, que é “competente”, e que “não é político”. Foi aos Emirados, à Coréia, Nova York, Portugal e Vaticano vender sua “obra prima”: estar à frente da administração da maior cidade da América Latina. Faltou, porém, combinar com a periferia quando e como pretende resolver os problemas crônicos de abastecimento, enchente, emprego, moradia, mobilidade, saneamento, saúde, violência, que são sempre os mais urgentes. Juão prefere enfrentar o mais fácil.

Hoje o “plano” do prefeito para administrar a cidade é um “plano de marketing”, bem diferente de ter em mãos uma estratégia para lidar com a realidade complexa que é a capital, daí a dificuldade dele em escutar e entender o que a sociedade civil reivindica como conquistas da cidade e que ele insiste em desfazer, apagando, alterando ou cortando recursos. Assim, Juão tenta apagar “marcas” da gestão passada, sem colocar nada no lugar, transformando as conquistas em obras deste ou daquele governo.

Juão tem pressa, pressa em “fazer acontecer”, pressa em se “fazer conhecer” porque o objetivo dele é imediato, a disputa eleitoral, mais preocupado com a cadeira do presidente – que está vaga – do que com as demandas dos cidadãos.

Juão está em campanha!

Notícias