Juão é superlativo!

21/junho/2017 - 8:28 pm

Publicado por

Marcelo tem 48, é ativista político, republicano, democrata e progressista, estudou sociologia e ciência política, na Escola de Sociologia e Política de São Paulo e trabalha com estudos de opinião pública e comunicação política. twitter @oceanoazul

“Mandar é fácil, governar é difícil”, Goethe.

Obama, o homem mais poderoso da nação mais poderosa do mundo, foi capaz de um gesto “nobre” em seu último dia de trabalho como presidente dos americanos e serviu a refeição dos funcionários que serviram a ele e sua família na Casa Branca.

Juão é a antítese da cena descrita acima. Insensível, autoritário, vaidoso, tem fixação por resultados rápidos! Habituado ao marketing, suas ações na área social são um completo desastre.

Reduzir a velocidade nas cidades tem um motivo muito nobre, que é diminuir a violência no trânsito. A redução é uma forma de preservar a vida tanto de condutores quanto de passageiros, pedestres e ciclistas. Os acidentes de automóveis quando não deixam vítimas fatais, deixam sequelas muitas vezes irreversíveis. No entanto, a primeira grande medida como prefeito eleito da capital foi reverter essa conquista da cidade que visava diminuir a violência, determinando o aumento da velocidade nas marginais de 70 km/h para 90 km/h, fazendo crescer o número de acidentes, consequentemente o de acidentados e mortos. Dória ainda não se convenceu do contrário. Cabe perguntar, quantas perdas mais serão necessárias para mudar de opinião e voltar atrás nessa decisão?

A ideia do “gestor” e do “não político” à frente da administração da cidade como solução de todos os males vem revelando que o prefeito peca quando manda e erra quando tenta governar. Para governar é preciso ter sensibilidade, zelo com as necessidades dos mais pobres e dos vulneráveis. Essa habilidade que os líderes deveriam desenvolver naturalmente parece faltar ao gestor. Confunde-se nos papéis, tem cacoete de “prefeito”, de “gestor” e de “xerife” quando desafia manifestante contrário, persegue ativista nas redes sociais, chama artista de bandido, manda tirar pertence de morador de rua, manda expulsar dependente químico a bala, faz e acontece “do seu jeito”. O gestor tem o olhar atento às planilhas e aos resultados, já o governante deve ter um olhar mais sensível ao drama humano e à realidade social.

A pressa em “fazer”, o autoritarismo, a insensibilidade social e a necessidade de provar a si mesmo que é “competente” no que está fazendo, faz de Juão uma vítima de si mesmo e revela um traço da personalidade do empresário com cacoete de gestor público: a dificuldade de lidar com quem diverge dele. O episódio envolvendo a Cracolândia é um exemplo pronto e acabado dessa “confusão” de papéis.

Juão agiu como “xerife” quando mandou desalojar as pessoas num dia e no outro anunciou um projeto imobiliário para o mesmo local como sinal de sua vitória pessoal contra os “desocupados” da cidade. Deixando perplexa uma sociedade que assiste mais uma vez a insensatez do poder público num momento em que o Brasil percebe a classe política alheia aos problemas dos brasileiros.

Daí dá para entender melhor o episódio que levou à demissão da ex-secretária municipal de assistência social, Soninha Francine, exonerada ao vivo com transmissão pelo Facebook num momento em que se “comemorava” os 100 dias de gestão, uma vez que ela não conseguiu “superar” as expectativas do chefe. O espetáculo da exoneração é um exemplo do que acontece com quem não consegue “fazer entregas” no governo municipal. Juão tinha pressa e queria “limpar” a região da Cracolândia, estava mais preocupado com o lançamento do seu projeto imobiliário do que com as pessoas que estava ali como apontam os jornais, organizações sociais e organismos internacionais. Agora sabemos que a solução para o drama social é a indiferença. O prefeito preferiu expulsar os “invasores” da Nova Luz usando o emprego da força da mesma forma como a polícia faz em caso de reintegração de posse, na bala.

O compromisso da cidade de São Paulo deveria ser com as pessoas, mudando a realidade dura e oferecendo mais qualidade de vida, no entanto, o que se vê é uma preocupação recorrente com investidores, com a venda de ativos da municipalidade e uma oportunidade para mostrar que quem manda é ele. Quando se fantasia de “faz tudo” municipal, de gari, Juão parece mais “humanizado”, entretanto, este é apenas mais um de seus muitos “disfarces”.

Notícias