Nota do Elo a respeito das ações praticadas na Cracolândia

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2/junho/2017 - 3:13 pm

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O Elo é um movimento que pretende unir pessoas que se interessem em participar da nossa vida política, de forma ética e responsável. Elo, para nós, significa união.

É de se lastimar que, outra vez mais, uma excelente causa tenha sido usada para fazer péssimo marketing.

A atual gestão municipal teve 5 meses para apresentar (vale a ênfase: apresentar) um plano que tratasse das políticas públicas a respeito da dependência química, questão de saúde pública que leva ao inferno milhões de brasileiros.

A dramaticidade do assunto justificaria que esta fosse a prioridade número um do Senhor Prefeito.

A quem não acredita na importância do tema, lembramos que, se considerada a doença do alcoolismo, mais de 1 milhão de paulistanos e paulistanas são dependentes químicos – os quais, somados aos seus familiares, formam um exército de pessoas depauperadas pelo desespero e sofrimento.

O Prefeito falou em dependência química? Não, o Prefeito falou – e tem falado – sobre a Cracolândia.

Se o Prefeito estivesse realmente preocupado com o problema, ele já teria, no mínimo, explicado se e como pretenderia equipar e integrar os mais de 700 aparelhos municipais de saúde para o fim de abordar, de forma proativa, os dependentes que, aos borbotões, todos os santos dias lá aparecem, pelas mais variadas consequências da dependência química. Ele saberia que, nesse contexto, tão ou mais importante do que tratar o doente, seria abordar e orientar o familiar que, via de regra, é quem o acompanha nessas horas – e cuja dor não é menor.

O Prefeito falou em usar os hospitais da cidade? Não, o Prefeito fala em demolição de um prédio para erguer outro.

Se o Prefeito estivesse realmente preocupado com o assunto, ele já estaria informado de que as pessoas que vão à Cracolândia encontram-se no capítulo final de uma história que há muito tempo já era tenebrosa. Muito mais chances elas teriam se tivessem recebido tratamento antes de descerem ao umbral. E, sendo assim, seria mais do que natural que o Prefeito já tivesse baixado um decreto determinando o ensino regular da dependência química nas escolas do Município. Todos e todas estão sujeitos à dependência química, aqui não existem invencíveis.

O Prefeito falou em prevenção através da informação? Não, o Prefeito fala que a Cracolândia acabou para sempre.

É difícil acreditar que, com tantos recursos e informações de que dispõe, o Prefeito acredite que vai resolver alguma coisa quando se fantasia de Capitão Nascimento e pense ser razoável que a polícia ponha para correr pessoas doentes.

Enquanto a dependência química avança impiedosamente sobre as 300 pessoas da Cracolândia – e sobre o mais de 1 milhão no entorno dela –, o Prefeito se orgulha de dizer que uns 3 quarteirões serão revitalizados (e, portanto, valorizados), numa viciada inversão de prioridades.

Não, nós não somos a favor da tragédia espelhada na Cracolândia. Tampouco somos a favor de sua volta. Até porque, contrariando a ilusão do marketing, ela já está de volta, a quatrocentos metros de onde estava, na Praça Princesa Isabel.

Está igualzinha a antes, na verdade nunca saiu do lugar.

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