O Brasil de Maduro

9/agosto/2017 - 1:30 am

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Maduro e Temer: duas caras, dois países quedados

São duas as ditaduras em curso na América do Sul. Uma é evidente, está nos noticiários, nas imagens das grandes manifestações, nas mortes oficiais já em mais de uma centena, na figura óbvia e grotesca de Nicolás Maduro. É a Venezuela, e a herança maldita de outro ditador metido a democrata de esquerda, Hugo Chávez, pai político e espiritual de Maduro. A outra, é a nossa.

Na Venezuela, Maduro tenta, com todas as armas, dissolver o parlamento e reinar seguro em seu próprio quintal. O preço do petróleo em queda levou o país a uma crise aguda, onde falta, inclusive, comida. O povo em desespero foi às ruas para lutar pelos direitos mais fundamentais em manifestações gigantescas, sob os olhares inevitáveis do mundo inteiro e seus bilhões de câmeras e telas. É o retrato clássico de uma nação à beira de uma guerra civil.

Já a nossa ditadura é bem brasileira mesmo, fundada no jeitinho, o velho jeitinho que nos assombra. De tempos em tempos, notamos que ele existe e está engendrado em nosso caráter pouco virtuoso. Aqui, o parlamento é parceiro. Ao contrário de nossa colega de infortúnio, no Brasil a ditadura tem quatrocentas caras, todas patentes, manjadas, mas reinantes. O quintal, aqui, é vasto e lucrativo.

Para os olhos do mundo, apesar dos escândalos de corrupção envolvendo o presidente e mais umas centenas de cúmplices diretos ou não, tudo está sendo resolvido de maneira republicana e democrática, mesmo que torta. A cantada em versos e prosas “República das Bananas”, onde a solução se faz com conchavos, acordos e acertos.

Com isso, podemos afirmar que os homens que tomaram o Brasil de assalto estão, através de leis e medidas, mantendo sua eternidade no poder intocada. Temer é apenas a cara a ser batida, uma espécie de fantoche, o bobo para ser ridicularizado e escrachado em praça pública. Enquanto isso, os amigos parlamentares preparam o pavimento para a manutenção do “status quo”. A tarefa de Temer, além de enriquecer ainda mais com o erário, é conservar o povo, por mais que insatisfeito, dócil, conformado e desesperançoso.

E não há nada mais letal do que a desesperança. Se ela vem carregada por uma educação capenga e tendenciosa, o resultado é ainda pior. O Brasil permanece quieto, vendo suas riquezas escoarem pelos ralos impunes da corrupção endêmica. As manifestações de 2013 e 2014 parece que tinham como objetivo trazer de volta ao centro do poder a velha quadrilha, pois a quadrilha antecessora estava sendo muito permissiva e ousada. Com a troca de quadrilhas, voltamos ao rumo desejado. Afinal, em time que está sempre ganhando não se mexe.

Mas não há com que se preocupar. Jamais seremos uma Venezuela. Os homens que comandam o país conhecem a dose certa da substância que pode ser remédio ou veneno. No caso, aplicam somente o necessário para deixar a população em sono ativo, capaz de trabalhar e manter o país andando, mas insuficiente para que ela se mobilize e faça o Brasil correr, e ganhar.

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