O Estado Mimo

2/agosto/2017 - 12:07 pm

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Paulo Leme tem 46 anos e é advogado, graduado pela USP. Dependente químico em abstinência há mais de 20 anos, escreveu, junto com seu pai, o livro “A Doença do Alcoolismo” e é fundador do Movimento Vale a Pena, ONG que tem por objetivo divulgar informações a respeito da dependência química.

Nosso querido João Doria, dia desses, resolveu escancarar sua campanha à Presidência da República, já dando uma dica sobre os possíveis nomes que pode escolher para o Ministério da Fazenda e dizendo-se um fervoroso defensor do Estado Mínimo*.

Desconfio muito do fervor com que se pregam os dogmas, pois, como sabemos, a vida não é doutrina – e, assim, não é difícil ver contradição entre o que se prega e o que se faz.

Doria diz que gosta do Estado Mínimo, mas, a julgar pelo seu comportamento, ele quer mesmo é brilhar no palco do Estado Máximo – pois o homem, na ânsia de postar vídeos de Facebook, já está fazendo festa até para inauguração de banheiro.

Seja como for, o fato é que, se o festejado Prefeito se diz um liberal na economia, deveria sê-lo pra valer. E o mínimo a fazer, em respeito a uma regra de ouro do mercado, seria emitir sinais de que ele não compactua com o capitalismo de compadrio – aquele em que o que vale são as relações pessoais, o bate-papo regado a um uísque e a troca de favores.

O que se vê, no entanto, é um Prefeito que, sentado no troninho de gestor de grandes licitações, vive a receber doações empresariais ditas desinteressadas. Quanto mais coisas foram doadas, mais feliz nosso Prefeito fica – e mais propaganda de si mesmo ele faz para todo o Brasil.

Está criado, portanto, o Estado Mimo.

O Estado Mimo é forte (e pouco liberal) quando acena (ou ameaça) com o peso de seu poder; mas, quando mimado com presentes, vira um amiguinho dócil e atencioso.

É estranho que um liberal jogue esse jogo de mimos, principalmente quando se sabe que almoço grátis de hoje costuma ser o piriri de amanhã.

Pior: nem se arvorar como expoente da modernidade o Estado Mimo pode fazer.

Na nossa última ditadura militar, enquanto delatava pessoas que iriam ser presas e torturadas**, a Wolkswagen fazia generosa doação de 200 veículos ao Regime.

 

* http://www.valor.com.br/politica/5060002/para-doria-estado-no-brasil-e-muito-grande-e-pode-e-deve-ser-menor

** http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,volkswagen-cooperou-com-a-repressao-no-brasil-conclui-historiador-da-empresa,70001902489

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