O mundo é do homem branco. Alguns governantes fazem questão de nos lembrar disso

29/agosto/2017 - 7:29 pm

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Edson Nascimento, 48, é jornalista. Nasceu em Belém do Pará, mas mudou-se para São Paulo quase trinta anos atrás. Entre 2000 e 2015 dirigiu o Projeto Pão Nosso, Ong que atendeu mais de duas mil crianças e jovens, oferecendo educação, profissionalização e renda. Em algum momento da vida colocou na cabeça que ia transformar o mundo.

Vimos recentemente em Charlotesville, na Virgínia, Estados Unidos, um velho fantasma nos assombrar. De tempos em tempos, ele reaparece como que para dizer que está ali, nas sombras, à espreita.

Vemos a sociedade evoluir, o comportamento humano caminhar na direção da igualdade, da consciência do respeito ao próximo, mas ainda somos animais. Ainda guardamos resquícios de um tempo em que a diferença era matar ou morrer, quando nos amontoávamos em tribos que lutavam pela sobrevivência para acentuar as semelhanças. Mesmo naquela época de animalidades, os objetivos eram extremamente palpáveis: comida, território, água; hoje, era de tantas maravilhas tecnológicas, quando numa fração de segundo podemos estar em qualquer lugar, luta-se por quê? Luta-se pelo atávico medo da morte, o medo de ser massacrado, engolido, esquecido.

Esses grupos supremacistas, que querem um mundo mais branco, e morrem de medo, tendem a crescer em sociedades sub-representadas na política. Donald Trump, cujo pai foi membro da Ku-klux-klan, e que teve uma criação racista e machista, montou seu gabinete com vinte homens brancos, cinco mulheres e apenas um homem negro. Em uma análise fria, é assim que Trump enxerga a sociedade que o elegeu. Suas declarações após os acontecimentos só corroboraram isso.

Não faz muito tempo, tivemos um exemplo aqui mesmo, quando Temer ao levar a presidência no grito, organizou seu ministério apenas com homens. Todos brancos.

Entender que governa-se para uma comunidade complexa e multiforme, e que é importante espelhar a sociedade na escolha de sua equipe é o básico para o gestor moderno, além de ser sinal, ao menos, de inteligência. Aquele que se diz novo tem que ter a diversidade (de gênero, raça ou cultura) como uma das pilastras de sua estrutura política. Aquele que privilegia este ou aquele grupo demonstra, de cara, um claro sinal, no mínimo, de incompetência.

Este é o secretariado de João Doria Jr.

Observe. Você se sente representado nele?

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