O Novo velho

14/setembro/2017 - 10:28 am

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Paulo Leme tem 46 anos e é advogado, graduado pela USP. Dependente químico em abstinência há mais de 20 anos, escreveu, junto com seu pai, o livro “A Doença do Alcoolismo” e é fundador do Movimento Vale a Pena, ONG que tem por objetivo divulgar informações a respeito da dependência química.

 

Há coisa de 6 ou 7 anos anos, assisti a uma impressionante palestra do economista e consultor Paulo Rabello de Castro. O Brasil surfava forte na onda da valorização das commodities, o governo do PT era um canteiro de obras, a pobreza era reduzida, as bolsas sociais corriam soltas e o mercado estava feliz. A economia bombava – e o mundo era um lugar bom.

Rabello de Castro, no entanto, já alertava para o fato de que aquilo era um vôo de galinha. Criticava o crescimento artificial baseado em subsídios, previa déficit orçamentário absurdo, tombo na onda das commodities, recessão e muito desemprego. Ele assim o dizia com dados – e muito embora eu o concebesse, na ocasião, como uma espécie de Mãe Dinah do Mal, o fato é que o sujeito estava pra lá de certo.

Veio o governo do Presidente Michel e Rabello de Castro, primeiro, foi ser presidente do IBGE para, depois, virar presidente do BNDES. Nada como um dia após o outro.

Sentado na cadeira do bom Governo, Rabello de Castro acenou ser contrário a acabar com a TJLP (aqueles juros que o Tesouro subsidia a empresas camaradas).

Sobre a JBS, de quem o BNDES, por obra e graça da gestão petista, é sócio, nosso amigo Rabello de Castro, em agosto deste ano (isto é, mesmo depois do mundo ouvir a gravação de Joesly “Nóis Num Vai Sê Presu” junto ao Presidente Michel), se derramou em elogios ao irmão Wesley.

Para Rabello, mesmo depois da cagalhopança de maio, em que os irmãos Batista, entre outras coisas, disseram que tinham na prateleira mais de 1800 políticos, Wesley era uma espécie de Neymar. Um gestor “que faz gols”, e que precisaria apenas “mudar de posição”. Tipo assim: sair de um cargo para um outro dentro da JBS – e continuar com seus dribles mágicos.

Peço a INRI Cristo que me livre de participar desse campeonato de futebol macabro.

De todo modo, o fato é que Rabello de Castro não tem poder absoluto sobre o BNDS (ufa!) – e o banco vem brigando feio para tirar dos irmãos Batista qualquer cargo executivo na firma.

É por essas e outras que desconfio de gente muito liberal. E, sim, Rabello de Castro é grande liberal.

É filiado ao Partido Novo e, além de, a exemplo do irmão Wesley, ser eminente integrante do LIDE (aquela firma esquisita que nosso amado Doria inventou), escreveu um livro chamado “O Mito do Governo Grátis”.

Caraca! President…, digo, Prefeito Doria, olha aí que livro bom para o senhor ler.

Nada tão conservador quanto um liberal no poder – a frase é velha, mas a profecia diz que ela vai voltar a entrar na moda muito em breve.

 

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http://www.valor.com.br/brasil/5080060/rabello-critica-tlp-e-diz-que-nao-votar-mp-nao-sera-fim-do-mundo

http://www.valor.com.br/agro/5071224/wesley-pode-deixar-cargo-na-jbs-sinaliza-rabello-de-castro

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