Quem nasceu primeiro: o ovo ou o Juão?

14/agosto/2017 - 11:48 pm

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Marcelo tem 48, é ativista político, republicano, democrata e progressista, estudou sociologia e ciência política, na Escola de Sociologia e Política de São Paulo e trabalha com estudos de opinião pública e comunicação política. twitter @oceanoazul

Diz o ditado que “quem planta vento, colhe tempestade”.

O prefeito da cidade de São Paulo foi eleito com o voto dos mais pobres e da periferia, seria natural supor que ele faria um governo mais voltado para os bairros afastados do centro, mas os fatos estão demonstrando que Juão revelou-se na verdade um “cavalo de Tróia” ou mais popularmente conhecido como “presente de grego”.

Juão, dizia que faria uma coisa e na realidade tem feito outra.

Quero mais uma vez voltar o foco para o Programa Cidade Linda, como já fiz em outra oportunidade aqui mesmo neste site. Na minha humilde opinião, o Programa não tem nada de “lindo”, mas de escandaloso. Doria quer limpar as ruas, das gentes indesejáveis.

Particularmente, não tenho nada contra empresas do setor imobiliário, diga-se de passagem, trata-se de um segmento da economia com alto potencial de geração de emprego e renda na cidade de São Paulo. No entanto, tenho dúvidas quanto aos interesses que se instalaram no palácio Matarazzo, com a eleição de Juão Doria. Para mim, um prefeito deveria estar a serviço da cidade, mas parece estar cada dia mais evidente que ele esteja a serviço da especulação.

Doria no meu entender é um lobista a serviço dos incorporadores e da construção civil.

Para mim, o que está acontecendo na região central da cidade é uma espécie de “elitização”, ou como o fenômeno ficou conhecido no mundo como G-E-N-T-R-I-F-I-C-A-Ç-Ã-O. Ou seja, uma região da cidade é escolhida sob o discurso da revitalização, recebe obras de melhoria pelo poder público que resultam na valorização imediata dessa região, atraindo novos investimentos e moradores de classe social mais alta.

Sob o disfarce de que essas melhorias “beneficiam a cidade como um todo” é que o prefeito Juão Doria tem feito propaganda da sua gestão. Na verdade, ações como as do Programa Cidade Linda, nas avenidas 23 de maio (Corredor Verde) e 9 de julho (revitalização do chafariz do túnel) são motivadas pelo interesse privado, que beneficiam os investidores imobiliários e criam a fantasia de que este tipo de ação poderá ocorrer por toda cidade.

Disfarçada de “boa intenção”, tenta passar a ideia de que os interesses dos empresários e da população são os mesmos. Para além, o processo não é só de “embelezamento”, mas também de higienização da região, porque prevê a retirada de moradores em situação de rua e a expulsão de usuários de crack da região central, sem efetivamente resolver os problemas e enfrentar a desigualdade social e econômica que corrói o tecido social na capital paulista.

Para mim, o que estamos assistindo é a lógica privada se impondo fortemente sobre a coisa pública, disfarçada de “inovação”, “empreendedorismo” e “cidadania” para usarmos os termos da moda que a gente diferenciada de Higienópolis gosta de usar.

Talvez, por isso, Juão tenha levado um ovo na cabeça.

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