Sobre Viver em São Paulo

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27/Janeiro/2018 - 11:43 am

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Gisele Agnelli tem 39 anos, é socióloga e pós-graduada em Marketing. Trabalhou 13 anos na área de Inteligência de negócios e pesquisa de mercado, mas sempre foi apaixonada por política. Em 2017, resolveu transformar o sonhado plano B em Plano A.

Vivemos com medo na cidade! 69% da população declara ter medo de ser furtado/ roubado em São Paulo. Não estou aqui olhando para os números reais de assaltos mas para o impressionante número de 8.4 milhões de pessoas que vivem com medo de circular pela cidade. Um sentimento que afronta nosso mais básico direito de ir e vir. Este é um dos resultados que a Rede Nova São Paulo em parceria com o IBOPE realizou sobre a percepção dos paulistanos acerca do viver nesta megalópole.

Uma notícia boa! Pela primeira vez na série histórica da pesquisa desde 2009, os cidadãos paulistanos apontam a importância dos investimentos em educação de qualidade para jovens de baixa renda como a ação mais indicada para reduzir-se a violência em SP. Educação é ao mesmo tempo um grande desafio e nossa redenção.

Olhando os resultados da pesquisa uma certeza: precisamos transformar SP numa cidade mais atrativa, onde as pessoas queiram morar.  SP é uma das principais cidades do mundo, pólo de inovação, gastronomia e cultura. Porém, estas qualidades são desproporcionais à qualidade de vida da população.

Dados sobre saúde: pioram os índices sobre tempo de espera para agendamento e realização de exames na rede pública. E a média de espera de uma vaga em creche chega a mais de seis meses.

As instituições registram o menor patamar de confiança da série. Aumenta o percentual dos que não confiam no Metrô, CET, SP Trans e, no que tange o poder público, a Câmara dos vereadores é percebida como ruim ou péssima pela maioria dos entrevistados. Bem, parte deste problema é conjuntural, não estamos mais no ápice da crise política e econômica que vivemos, mas o clima de incerteza sobre o futuro e o alto desemprego estão presentes. Mas, outra parte deste descrédito se deve à fatores estruturais, precisamos resolver o conflito entre sociedade, que não se sente representada, e lideranças políticas. Precisamos focar na ampliação da participação popular na vida política da cidade! Melhorar em muito as estruturas e “modus operandi” das subprefeituras, ouvir a população em questões de zeladoria, dar sentido aos conselhos, prestigiar e ampliar o número de conselheiros municipais, convidar a sociedade civil para audiências públicas. Precisamos de um governo mais aberto ao diálogo, mas, para tanto, precisaríamos de um grau de transparência que não temos em SP.

Bem, diante de todos estes dados negativos ainda há uma melhora na percepção de satisfação com a qualidade de vida em SP. Apesar deste resultado parecer contraditório com a piora de quase todos os índices apresentados, eu entendo! Sou paulistana…viver em São Paulo é amá-la e odiá-la ao mesmo tempo. Sentimento já muito bem capturado e imortalizado na canção de Caetano:

“Alguma coisa acontece no meu coração…Que só quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João…..E quem vem de outro sonho feliz de cidade….Aprende depressa a chamar-te de realidade…….Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso”.

 

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